A TERRA DE PONTE: CASAS E FAMILIAS ILUSTRES DA RIBEIRA LIMA









sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

CASAS E FAMILIAS ILUSTRES DA RIBEIRA LIMA

1 - FAMILIA MELLO DA GAMA E A CASA DA GARRIDA
A casa da Garrida, ocupa um lugar cimeiro nos Anais desta freguesia e os seus representantes, foram uma das mais importantes famílias da região.Muito se falou sobre esta família, principalmente no Sec.XVIII e XIX por motivos vários, o certo é que sendo um imóvel tão valioso e tão rico, despertou-me a curiosidade em aprofundar um pouco mais os conhecimentos sobre o mesmo, bem como as famílias que por ele passaram.Assim, tentarei dar a conhecer a história dessa casa, recuando no tempo, até aos dias de hoje.Tudo leva a crer que a construção do solar da garrida no termo da Freguesia da Ribeira, se terá iniciado no último cartel do Sec.XVIII, muito provavelmente por ordem de Francisco Alvares da Silva, vereador em ponte de Lima, casado com Dª Rosa Maria de Mello d’Abreu e Lima (1), considerando-se ter sido ele o primeiro senhor da quinta da garrida.Sucedeu-lhe seu filho, António José da Silva e Mello, casado com Dª Maria Michaella da Gama de Araújo e Azevedo, deste casamento havia de nascer aquele que mais brilhou de todos os membros do clã, trata-se do Marechal Francisco de Mello da Gama de Araújo e Azevedo, neto paterno de Francisco Alvares da Silva e de Dª Rosa Maria de Mello d’Abreu e Lima e materno de Caetano José da Gama de Araújo e Azevedo, senhor da casa de Beiral e Monteiro-Mor de Ponte de Lima e de Dª Ana Josepha Lemos d’Abreu Sá Sottomaior.Francisco Mello da Gama, foi oficial do Exército ainda muito novo, portador de um génio irrequieto e aventureiro, foi servir no ultramar, percorrendo os vários continentes, onde Portugal exercia os seus domínios.Casou ao que tudo indica, no Brasil, a 6 de Outubro de 1798, aos vinte e dois anos, com Maria Maximiana Feijó e Silva. (2)Nesta altura, prestava serviço como oficial subalterno, com a patente de capitão, em Desterro, Santa Catarina, Brasil, mais tarde foi deslocado para Macau, onde comandou o Batalhão do Príncipe Regente.Já na Índia, com a patente de brigadeiro foi governador de Diu, tendo conseguido sufocar várias revoltas, foram notáveis os serviços que aí prestou.Foi condecorado com as Ordens de Torre e Espada e Avis.No seu regresso à metrópole, foi-lhe oferecido o título de conde de Diu, que recusou.Fez toda a sua carreira militar no ultramar, para onde foi como oficial subalterno, tendo regressado com a patente de Marechal de campo.Passou à reforma, no último dia de Janeiro de 1840.O marechal Francisco Mello da Gama, foi um homem de grande coragem e disciplina, atestando essa qualidade o facto de ter mandado prender o seu próprio filho e único herdeiro, por estar comprometido com uma revolta militar.Foi sucessor de seu irmão na casa da Garrida.Já com avançada idade, mas com grande robustez física, veio viver para Ponte de Lima, instalando-se na sua casa do arrabalde.Consigo, veio o seu filho, que cumpria pena de prisão, tendo ficado preso no sótão da casa, de onde saia, para ver a luz do sol, apenas na ausência de seu pai com o conluio dos criados, recolhendo ao cárcere logo que o velho marechal chegava.Foi alvo de um importante assalto, tendo o roubo sido cuidadosamente preparado e levado a cabo por uma quadrilha de mal feitores, na madrugada de 11 de Outubro de 1847.Desgostoso o marechal, retirou-se para a quinta que possuía no lugar da Garrida em S.João da Ribeira, vivendo um penoso e triste fim de vida, acabando por cegar.Faleceu em 17 de Janeiro de 1859, sendo sepultado na igreja paroquial de S. João da Ribeira.
(1) Almanaque de ponte de Lima, 1910(2) Fórum de Genealogia, Geneall.netLimiana, J. R. A, LIMICI

2 Comentários:

Blogger Vianense disse...

Caro Sr. Monteiro

Já publiquei, em comentários em outro blog, diversos elementos e meu interesse sobre a família Melo da Garrida. Serve o presente comentário para introduzir o seguinte:

- Pelas minhas pesquisas, e memória familiar, tenho dúvidas que tenha sido Francisco Álvares da Silva a iniciar a construção da Casa dos da Garrida, Casa de São José segundo Miguel Lemos, deverá ter sido o seu filho António José Álvares de Silva e Melo e disso tenho alguns indícios. O seu primeiro habitante foi António José de Melo da Gama Araújo e Azevedo, filho de António José Álvares de Silva e Melo e neto de Francisco Álvares da Silva.

- No seu texto, citando o Almanaque de Ponte de Lima, diz que Francisco Álvares da Silva era casado com Dª Rosa Maria de Mello d’Abreu e Lima, mas segundo as Árvores De Costados De Famílias Ilustres De Portugal de José Barbosa Canaes de Figueiredo Castello-Branco, o nome é D. Rosa Maria de Melo, e segundo o Nobiliário das Famílias de Portugal, de Felgueiras Gayo, o nome é Rosa Maria de Mello Bezerra, ou Rosa Francisca de Mello Bezerra, indo os seus costados, no Gayo, até ao início da nacionalidade. Curiosamente Felgueiras Gayo atribui o apelido Abreu Lima a irmãos de Rosa Maria. Mais um assunto que preciso investigar nos paroquiais do arquivo distrital.

- Quando afirma que o Marechal Francisco de Silva e Melo da Gama Araújo foi “…aquele que mais brilhou de todos os membros do clã” convém não esquecer os irmãos:
- António José de Melo da Gama Araújo e Azevedo sucessor de seu pai Senhor da Casa da Garrida, foi vereador 1820 a 1823, e presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima em 1834, foi também Coronel, 1830, e Brigadeiro do Regimento de Milícias de Viana do Castelo.

- Caetano de Melo da Gama Araújo e Azevedo, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi juiz em Idanha, Covilhã, Juiz da Relação do Porto, Procurador em Viana etc. Por casamento com Rita Adelaide Vasconcelos Pires Mourão foi Senhor da Casa da rua das Pedrinhas em Vila Real. Em 28 de Novembro 1826 foi membro da junta do “Supremo Governo Provisório do Reino”, presidida pelo Marquês de Chaves, num dos levantamentos absolutistas que precederam a guerra civil.

Manifesto o meu grande interesse em conhecer o que está escrito nos Almanaques de Ponte de Lima sobre esta família, pelo que solicito a sua ajuda.

Com os meus cumprimentos
Francisco de Melo Parente

29 de fevereiro de 2008 às 18:41  
Blogger monteiro disse...

Caro Sr. Francisco de Melo Parente

Permita-me agradecer-lhe o comentário que se dignou fazer. Essa foi uma das razões que me motivaram ao criar este modesto blog; Suscitar o debate sobre assuntos de interesse, relacionados com a Ribeira.
Por outro lado, prestar um modesto contributo para o esclarecimento e divulgação da cultura, hábitos e tradições desta terra, onde nasci e tenho o prazer de viver.
Quanto à publicação destes escritos sobre a Garrida e a família, da qual é um dos seus dignos representantes, tudo começou com o fascínio que a casa da “Garrida” sempre me despertou.
Desde criança como o senhor, que vou ouvindo contar estórias e peripécias ocorridas naquela casa, nomeadamente no período em que a mesma esteve ocupada pelo poeta António da Silva Gouveia Vieira Lisboa.
Com as diligencias que se tem estado a fazer para comemorar o centenário da morte deste poeta, surgiu a possibilidade de recolher alguma informação sobre a casa e as famílias que por ela passaram e da qual a vossa foi fundadora.
Por isso tenho procurado essas informações e na verdade o que o Sr. publicou tem-se revelado de importância capital, quer pela qualidade da informação, pela indicação de pistas de investigação, como a que agora sugere, relativa ao nome de baptismo do Marechal Mello da Gama, que também procurarei esclarecer.
No que diz respeito aos assaltos e nome das famílias suspeitas, com os escritos de Rosa Araújo, elas são perfeitamente identificáveis, concordando com o Sr. no que respeita a manter as mesmas no anonimato, uma vez que não valerá a pena expor os seus descendentes, a factos ocorridos no SEC.XX; Perdoe-me se estiver errado, ao emitir esta opinião.
Quanto ao pedido que me faz, caro Sr. terei todo o prazer em fornecer-lhe fotocópias dos documentos que me pede, bastando para isso que me indique uma morada para onde possa enviar os mesmos.
Quero ainda referir, que estarei empenhado em encontrar resposta para outras dúvidas que sei possuir, como a da designação da capela de NªSªda Lapa ou S. Francisco?
Ainda na Sexta-feira estive a conversar com vizinhos da Quinta da Garrida, no intuito de desvendar essa dúvida, não tendo até ao momento encontrado a resposta para esse outro mistério.

Com os meus cumprimentos,
Monteiro

2 de março de 2008 às 07:13  

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