A TERRA DE PONTE: Abril 2008









sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril - DIA DA LIBERDADE

A serenidade no rosto da Revolução.


" Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
na esperança de um só dia."


Manuel Alegre

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sábado, 19 de abril de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA

A VILA E O RIO

Foto de Amândio de Sousa Vieira

A vila
tranquila
¿ dorme ou suspira?
junto do Rio.

E o rio,
safira
em fio,
de volta da Vila,
delira.

A Ponte já velha de tanto relento
se mira
no fundo
do Rio sedento.

Alheia,
num esquecimento
do que é deste mundo,
nem vê que a aniquila
a areia.

É o equinócio
do Outono.
E o Rio no velho caminho vacila...
pára...rodeia,
enfim prossegue com cautela:
que não perturbe a Vila
no sono
d’ocio.

Nem vela
circula.
E o Rio areia acumula
no pensamento que o atribula
de à Vila
chegar.

Vem longe o Inverno que traz as cheias.
E o Rio infeliz
se afila
perdido de Amor, com ciúmes da Ponte.
Até lhe levou duma vez as ameias.

E a Vila, de branco, só espera o Luar
e o rouxinol de fronte.


in Ao Longo do Rio Azul, Edição de Autor, Ponte de Lima, 1949, pp. 44-45



http://br.geocities.com/viladeponte/

retirado da net



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EXPOSIÇÃO : 25 DE ABRIL

Uma bela iniciativa da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima, ao promover uma exposição foto documental sobre o 25 de Abril.
Nota-se realmente uma nova dinâmica ao nível das iniciativas da Biblioteca, mais viradas para a população escolar, o que me parece ser uma aposta com futuro.
Sobre esta última iniciativa dedicada ao 25 de Abril, é uma aposta ganha e por isso, estão de parabéns, para alem da sua responsável, a Drª Ana Carneiro, todo o pessoal envolvido na iniciativa e estão igualmente de parabéns, os responsáveis do Município que acreditaram na capacidade desta jovem directora, com uma nova visão e um olhar diferente do mundo dos livros.
A todos que visitem esta exposição, podem estar certos que vão sair daquele local muito mais esclarecidos em relação ao que foi a "Revolução dos Cravos", podendo ainda ver algumas das implicações que a mesma teve em Ponte de Lima.

terça-feira, 15 de abril de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA

Da obra «Poemas de Amor e Dúvida», Livraria Portugália, Lisboa,1941, retiramos este poema de António Vieira Lisboa, um poeta esquecido e que Ponte de Lima, teima em deixar que esse esquecimento se vá tornando perpétuo.
Nem o poeta merece esta indiferença, nem a comunidade Limiana tem o direito de permitir este abandono a que tem sido sujeito.

A...

(neta de bandeirante)

De que país estranho és Tu que a gente treme

involuntariamente ao ver Tua figura?

De que raça provéns sem traço algum extreme?

A Tua mãe é Selva e Teu pai Aventura.

Destino horrível em teus olhos trazes...

olhos que vêem através da Selva.

Penetrantes, de tigre, e verdes como a relva

de ignoto oásis.

Seu brilho corta, assusta e quási estanca

todo o prazer que o Corpo excita em nós.

Mas – tão macia e franca –

arrasta, encanta e prende a Tua voz.

Esse contraste fere a gente em hecatombe...

E, o júbilo que sentes, mostras sem sigilo.

Mas há de Ti quem zombe,

quem Te feriu, em vez de Tu feri-lo.

De que país distante ou de que terra esconsa

és Tu, maravilhosa criatura?

Olhos de tigre, clara a pele, Corpo d’onça

a Civilização c’oa Selva se mistura.


segunda-feira, 14 de abril de 2008

Recordando uma figura Limiana


Gonçalo António Pereira

Mal chega o mês de Setembro e todos nós somos levados pela folia que há-de vir com as Feiras Novas.
As festas, sempre representaram muito para as gentes de Ponte de Lima, mas para que tenham a importância e a grandeza que todos conhecemos foram precisas muitas horas, anos a fio de trabalhos para que a grandeza das festas fosse sendo cada vez maior e como tal merecedoras da distinção de que hoje gozam, a mais tradicional das romarias do Minho.
No início do século, uma figura deu um contributo importante para que se chegasse a este estatuto, refiro-me ao Gonçalo António Pereira, mestre exímio na arte de iluminador, que graças ao seu empenho, saber e habilidade permitiu que Ponte de Lima e as suas festas se tornassem conhecidas em todo o país.
Delfim Guimarães, na sua obra “O Rosquedo”, teceu-lhe os mais rasgados elogios, ao ponto de o integrar como uma das personagens desse livro, dizendo o seguinte: … é que alem da vila se prestar como nenhuma outra, há em Ponte de Lima um homem que tem dedo especial para a coisa: O Gonçalo, barbeiro modesto, enfermeiro dedicado, dentista de rijo pulso, amolador afamado e iluminista como nenhum outro, fazendo dos balões, copinhos e tigelinhas, uma engrenagem maravilhosa, produzindo resultados feéricos.
Se o Gonçalo não existisse, não haveria iluminações em ponte certamente e era uma vez o S. João mail’as Feiras Novas!
E continua descrevendo o magnifico trabalho produzido pelo Gonçalo Pereira nas festas do início do século: … A rua do Souto deslumbrava. Era um túnel perfeito jorrando luz. Os “copinhos”, de diversas cores dispostos em arcos de madeira, colocados de dois em dois metros, multiplicavam-se extraordinariamente, e a rua do souto, pequena e estreita, tomava aos olhos maravilhados dos forasteiros as proporções da avenida do palácio de Cristal em noite se S.João. De dois em dois arcos, suspensos de fios de arame, pendiam assadores de castanhas com os buracos cobertos de papel de cores variegadas e iluminados por uma tigelinha de sebo, …
A arte e mestria deste Limiano, haveria de ser reconhecida fora de portas e em 10 de Dezembro de 1903, o Gonçalo rumava à capital do império para mostrar, na avenida da Liberdade durante a visita a Portugal do Rei Afonso XIII de Espanha a beleza das iluminações à moda do Minho, tendo aí obtido um enorme sucesso.
Em 3 de Maio de 1908, Gonçalo António Pereira foi admitido como sócio Nº22, da Associação dos Socorros Mútuos dos Artista de Ponte de Lima, tendo permanecido até à sua morte.
Em 14 de Setembro de 1916,no Jornal Cardeal Saraiva Nº 259, podemos ler a seguinte noticia sobre as Feiras Novas:
Grande e fantástico arraial, já hoje considerado um dos primeiros do Minho, com iluminações Arte-nova, sobressaindo a da avenida 5 de Outubro que graças à reputada competência e aprimorado bom gosto do iluminista local, Sr. Gonçalo António Pereira, despejará fachos radiantes de luz viva, bem como no passeio Cândido dos Reis, rua Torre de S. Paulo e largo da Matriz, que também ostentarão uma artística e bem disposta iluminação. Ponte de lima tem-se esquecido de recordar pessoas simples mas que tiveram um importante papel para o engrandecimento desta terra.
E Gonçalo António Pereira tem sido uma das vítimas desse esquecimento, assim como muitos outros.

sábado, 12 de abril de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA



O RIO

Duas lágrimas que escorrem pelos montes

com pena dum Inverno tão tristonho;

das mil canções das milenárias fontes

de moças encantadas por um sonho;

do eco dos perdidos horizontes

do paraíso é que se fez o Rio

a que a dor, a esperança, amor confio.

Rio que pela areia erra

antes que escolha por onde ir...

Rio que passa pela terra

sem a ferir,

Rio que faz

cismar a gente.

Rio de paz.

Rio de quem a alma sente...

Rio das íntimas ternuras...

Rio das amorosas juras...

Rio dos íntimos mistérios,

das confidências puras.

Rio em que os olhos tenho absortos.

Rio em que até depois os mortos

quedam-se a olhar dos altos cemitérios.

Da obra «Ao Longo do Rio Azul», edição de autor, Ponte de Lima, 1949
nota , a fotografia foi retirada do site http://geocities.yahoo.com.br/vieiralisboa

domingo, 6 de abril de 2008

KING - I HAVE A DREAM

Passam 40 anos do assassinato de Martin Luther King.
O bárbaro assassinato de que foi alvo, pôs fim ao sonho que tinha para a América.
Hoje, esse mesmo sonho renasce, pela mão do candidato à presidência dos Estados Unidos da América, o democrata, Obama.
Esperemos que o sonho se torne realidade!

sábado, 5 de abril de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA

Duas Flores trazidas pela água

Duas flores trazidas pela água
do rio, vinham quasi a parar.
Nelas, Teus olhos vi, cheios de mágoa
que me vinham olhar.


Tão triste estava, foi-me doce
pensar, nesse momento,
que eram Teus olhos que a corrente trouxe,
para meu apaziguamento.

Essas flores cortadas pelo vento,
e azuis, Teus olhos bem podiam ser...
Tanta vez vi em pensamento
que vinham p'ra me ver.

Assim trazidas pela água,
como vieram, foram a boiar.
Mas a ilusão afago-a
que é o que resta para mim a olhar.

... ... ... ... ...

poema de António Vieira Lisboa, do Livro "Ao Longo do Rio Azul - 1949