A TERRA DE PONTE









domingo, 15 de março de 2009

FIGURAS LIMIANAS ILUSTRES/ DR. ANTÓNIO VIEIRA LISBOA





São várias as imprecisões que se publicaram no livro publicado pelo Municipio " Figuras Limianas Ilustres", relativamente ao perfil biográfico do Dr. António Vieira Lisboa, denota-se um certo descuido na publicação.

Assim;

Na verdade o poeta nasceu em Luanda, no dia 20 de Julho de 1907, era filho de António Augusto Vieira Lisboa e de Dª Beatriz da Silva Gouveia, mas seu pai, não era licenciado em Direito, muito menos Conselheiro, alias estudou direito na Universidade de Lisboa, juntamente com o filho (poeta), mas nunca acabou o curso, na sua profissão era um alto quadro do B.N.U. tendo desempenhado funções de direcção no ultramar, nomeadamente na Índia.
O Conselheiro, com o qual vários autores se confundem, foi o Conselheiro António Maria Vieira Lisboa, seu padrinho de baptismo e sogro, pois o poeta casou-se em 1934, na Casa da Garrida com Maria Guilhermina Vieira Lisboa, tendo-se divorciado em 1944, era também, tio do pai e mais tarde seu sogro, pois o Sr. António Augusto casou-se em segundas núpcias com uma filha do Conselheiro, cunhada do poeta, razão pela qual as relações familiares se deterioraram com o referido divórcio do poeta.
Outra imprecisão referida no perfil biográfico prende-se com a licenciatura do poeta que não foi conseguida em Coimbra, mas sim em Lisboa, no ano de 1929, com uma elevada classificação.
Na verdade o poeta António Vieira Lisboa, já gravemente doente, casou-se em segundas núpcias, no hospital da misericórdia de Ponte de Lima em 1968, com Maria Libânia Manjua, embora a referida senhora também usasse o nome de Maria Libânia dos Reis, a que juntou Vieira Lisboa.
O Dr. António Vieira Lisboa faleceu no hospital da misericórdia de Ponte de Lima, no dia 13 de Junho de 1968, pelas 18 horas.

Este blog tinha já publicado uma biografia resumida do poeta.

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sábado, 8 de novembro de 2008

NOVO LIVRO DE ANTÓNIO COUTO VIANA


Decorreu hoje pela manhã na Biblioteca de Ponte de Lima, a apresentação do livro de António Manuel Couto Viana, " Os despautérios do Padre Libório e outros Contos pícaros".
Na sessão de apresentação, a mesa era composta pelo Autor, Dr. Franclin Sousa, Cláudio Lima e a Drª Ana Carneiro.
Na assistência, não faltaram os amigos, homens de letras e muitos limianos que não quiseram perder esta oportunidade para ouvirem falar uma das mais brilhantes mentes da cultura da Ribeira-Lima.
Estão de parabéns, o Município e a Biblioteca de Ponte de Lima.

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domingo, 2 de novembro de 2008

POESIAS DE ANTÓNIO VIEIRA LISBOA

Aventalinho azul

Não venhas mais descalça pela erva
com teu Aventalinho azul aos folhos.
Nem imaginas como isso enerva
e como isso faz mal aos olhos.

Se a erva se arrepia quando a calcas
e – leve – mal Te sente o Teu contacto
eu sinto-Te o ardôr que não recalcas
e que esconder não sabe o Corpo intacto.

Faz-me ciúme a erva chã que pisas
e que o Ribeiro logo a sêde lima.
A erva pode ver-Te as pernas lisas
olhando curiosa para cima.

Vem-me pensamentos que não ouso
pô-los em frente dos meus próprios olhos.
Por favor deixa ao menos em reposo
o teu aventalinho azul aos folhos.



A influência do lima

Lima! Mal sabes como em mim influi
tua paisagem doce, azul e calma…
mal sabes como nela se dilui
e a si reflui depois a minha Alma.

Ambição, glória vã … teu curso exclui.
Entre milénios, o ódio não te encalma …
O vingador sem lei que d’antes fui
o teu sereno rumo em mim acalma.



A Vida, até aqui amarescente,
branda e suave em teu redor desliza
com amoroso, promissório brilho.

Meus campos, tua água fertiliza …
Que de ti surja aquela moça ardente
que em flor me dê na Primavera um filho.

Do Livro, Chão de Amor

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sábado, 1 de novembro de 2008

AOS MEUS AMIGOS - que partiram...

O Amor, nasce de um olhar
cesce com um beijo
e morre como uma chama!

Um poema em geito de homenage a todos os meus Amigos e aos amigos dos meus amigos, que já partiram e que agora repousam dormindo o sono eterno.
A todos eles,
Paz ás suas Almas.

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sábado, 18 de outubro de 2008

PRIMAVERA - Do livro "Chão de Amor"



Primavera

Que bem se respira esta manhã!
É Primavera! Como cheira a terra!
Que belo ar! Que bela aragem sã?
Que bem teu Corpo cheira oh minha Terra!

Mas esse ar que te percorre a face
e que te aquece! Oh minha terra! E que te impele
é como o beijo morno que eu deixasse
correr suave! Oh moça! A Tua pele.

Mas esse odor a terra, o odor que estua
de toda a leiva núbil que rescende
é simplesmente o mesmo odor da Tua
virgínia carne! Amor! Que a minha ascende.

Este ar, este cheiro a terra faz-me
o mesmo mal que a noiva que foi minha.
Respiro e tenho, quanto a aragem traz-me,
nos meus sentidos… como a Ela tinha.



Do livro “Chão de Amor”

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Opiniões sobre António Vieira Lisboa




Lírico, o poeta canta o amôr, a mulher, a forma, a linha ondulante dum corpo, a música indizível dum beijo. Está dentro da tradição do lirismo Português e, sendo um dos últimos chegados, enfileira, nesse ponto, entre os primeiros.



“O Primeiro de Janeiro, de 5 de Maio de 1943”
(Sobre o livro “Mulheres”)

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domingo, 5 de outubro de 2008

ANTÓNIO VIEIRA LISBOA - Poeta (1908-1968)

DO LIVRO "CHÃO DE AMOR"

fotografia da quinta do Bom Sucesso e vista da casa da Quinta da Aldeia

A Velha Quinta

Os dois ambinhos temos uma Quinta…
e, nessa Quinta está o nosso Lar.
A Quinta abrange o nosso mundo inteiro
que fica nesse simples só lugar.

E, fome ou sede, quanto a terra sinta,
passa-se em nós, sentimos nós em par.
A terra é o nosso Corpo…mas, primeiro
a ela damos p’ra depois nos dar.

E a casa que essa Quinta tem ao meio
É onde a Alma tem o Seu Altar.

E o mesmo Amor que aos dois ambinhos liga
é o que sustêm a Quinta nossa amiga.

Dos Avós foi…Dos nossos pais nos veio…
Aos nossos filhos vamos nós deixar.



Do Livro “ Chão de Amor

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sábado, 13 de setembro de 2008

FEIRAS NOVAS 2008





Gigantones, cabeçudos e bombos são um dos numeros de que mais atraem os limianos e forasteiros em dia de feiras novas .


À noite as iluminações e o fogo, regalam todos os que nestes dias fazem da vila mais antiga de portugal o seu destino de passagem ou férias.

Para que ninguem falte ás mais castiças festa do Alto-Minho, aqui deixo o cartaz de 2008.

Sexta-feira, 19 Setembro

19,00 h - Bandinha da Alegria
20,30 h - Grupo de Fados e Baladas de Coimbra (Jardim do Paço do Marquês)
21,30 h - Saúl Ricardo (Praça de Camões)
22,00 h - OLBAMA - Orquestra de Fermentelos (Largo de S. João)
23,00 h - Concerto (Praça de Camões)Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima e Banda de Música de Rio Mau
00,30 h - Fogo de Artifício
01,30 h - Estudantuna e Spestuna (Universidade Fernando Pessoa);Tesa e Tunesa (Escola Superior Agrária)
Sábado, 20 Setembro

08,00 h - Alvorada
08,30 h - Concurso Pecuário (Expolima - Parque de S. João)
08,30 h - Zés Pereiras e GaiteirosGigantones e Cabeçudos, Os Populares de Fornelos, Amigos da Borga, Voluntários de Baião, Bombos de Sto André, Unidos da Paródia e Bombos de Viariz
.09,00 h - Bandas de Música (Praça de Camões)Grupo de Cultura Musical de Ponte de Lima e Banda Marcial de Fermentelos
12,00 h - Concentração dos Zés Pereiras (Largo de Camões)
15,00 h - Corrida de Garranos (Expolima - Parque de S. João)
16,00 h - Cortejo Etnográfico
22,30 h - Rusgas, Concertinas e Folclore
01,00 h - Fogo de Artifício
Domingo, 21 Setembro

08,00 h - Salva de Morteiros
08,30 h - Zés Pereiras e GaiteirosGigantones e Cabeçudos, Os Populares de Fornelos, Amigos da Borga, Voluntários de Baião, Bombos de Sto André, Unidos da Paródia e Bombos de Viariz, Grupo de Zés P’reiras “Os Malinos”, Grupo de Bombos da Casa dos Rapazes e Grupo de Danças e Gaitas Queixumes dos Pinos de Orense
09,00 h - Banda de Famalicão e Banda Filarmónica de Amares
11,30 h - “NemFáNemFum” (Banda de Rua)
12,00 h - Concentração de Zés Pereiras (Praça de Camões)
15,00 h - Descida das Feiras Novas (Clube Náutico de Ponte de Lima)
15,00 h - Fanfarra de S. Bernardo
16,00 h - Cortejo “Terra Rica da Humanidade”
20,15 h - Fanfarra dos Escuteiros de Vitorino de Piães
20,15 h - Desfile do Folclore
21,00 h - Festival Folclore (Campo do Arnado)
Rancho Danças e Cantares de Ponte de Lima, Rusga Típica da Correlhã, Grupo das Espadeladeiras de Rebordões de Souto, Rancho Folclórico da Ribeira, Rancho Folclórico das Lavradeiras de Gondufe, Rancho das Lavradeiras de S. Martinho da Gandra, Grupo Folclórico de Santa Marta de Serdedelo, Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Ponte de Lima e Rancho Folclórico Santo Estêvão da Boalhosa
.21,00 h - Festival Folclore (Prac. Paço do Marquês)
Rancho Folclórico Casa do Povo de Poiares, Grupo Folclórico da Gemieira, Grupo Danças e Cantares de Vitorino de Piães, Grupo de Danças e Cantares do Neiva-Sandiães, Grupo Etno-Folclórico de Refoios do Lima, Rancho Folclórico de Calheiros, Rancho Folclórico Os Lusitanos de Saint Cyr L’École, Rancho Folclórico da Correlhã e Rancho Folclórico da Casa do Povo de Freixo.
00,30 h - Espectacular Sessão de Fogo de Artificio
Segunda-Feira, 22 Setembro

08,00 h - Salva de morteiros
09,00 h - Banda de Música de S. Martinho da Gandra e Banda de Moreira do Lima
10,30 h - Missa Solene (Igreja Matriz)
16,30 h - Imponente Procissão em Honra de Nª Sr.ª das Dores
20,30 h - Música Popular Portuguesa - Grupo “Quatro Ventos”
22,00 h - Grupo "Função Publika"

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domingo, 7 de setembro de 2008

TEÓFILO CARNEIRO


TEÓFILO MANUEL PAIS CARNEIRO.

Nasceu em Ponte de Lima a 24 de Março de 1891, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra (1911-1916) com a elevada média de 17 valores, tendo composto a balada para a tradicional récita de despedida dos quintanistas de Direito, redigindo o poema "Canto da Saudade".


Dedicou a sua vida ao exercício da advocacia, tendo sido também Professor no Externato e na Escola Primária Superior de António Feijó, em Ponte de Lima.



No entanto, foi deputado eleito para duas legislaturas da Primeira República, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima e Presidente do Senado da mesma Câmara.


Participou activamente na campanha do general Norton de Matos para a Presidência da República.

Teófilo Carneiro, foi um dos grandes amigos de António Vieira Lisboa, juntamente com José Maria Pimenta foram muitas as horas de convívio e de reflexão sobre a vida limiana do seu tempo.

Se Teófilo é recordado neste pequeno monumento, Vieira Lisboa também espera o mesmo tratamento e os limianos e Ponte de Lima, devem-lhe essa homenagem.



Teófilo Carneiro (1891-1949)

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domingo, 3 de agosto de 2008

OS 100 ANOS DE ANTÓNIO VIEIRA LISBOA

vista posterior da casa da Garrida, onde viveu o poeta até à sua morte em 1968


Carta de uma mulher


António, eu não podia assim ser tua…
E não julgues que fujo ao Amor que me cerca.
Por Ti, a minha carne moça estenua…
Se me retraio, é só… para que não Te perca.

No modo como me olhas, o Corpo estremece.
Nos olhos vejo o meu Desejo que avassala
e o tom da Tua voz, a minha carne aquece…
e quasi tonta, a Tua fala
oiço-A sonâmbula
d’olhos fechados, para ouvir na treva
como magia ou Sonho que me enleva
como carícia ou musica noctâmbula
em que o meu coração se depura e se esquece.

No entanto, eu não podia assim ser tua…
E resisti – nem sei como – a esse impulso!
Quanto sofri!...mas, o homem tudo desvirtua
e, já talvez me visses, com olhar repulso.

António! Eu sei que Tu és diferente
Que te magoo até no que estou a dizer-Te…
Mas sou mulher e como incoerente
Não sei que faça para não perder-Te.

Não é só o medo de entregar-me que me impede.
Sou tua desde o tempo em que Te sonho…
E enquanto possa me estonteio neste Sonho
Até desfalecer completamente nua
Com Alma e Coração à flor da pele.

Tão longe Te julguei… como alto Te ponho,
Mas, a Ti junta como um fruto incônho,
no modo que me der, que ninguém Te possua
e o ímpeto de Alegria o Amor Te revele.

Talvez eu seja quem mais sofra de nós dois…
Inda não sei esperar sem que me lembre,
Mas quando tua for…logo…amanhã…depois…
guarda-me para sempre.

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sábado, 12 de julho de 2008

OFERTA DE OBRAS DO POETA VIEIRA LISBOA AO ARQUIVO MUNICIPAL DE PONTE DE LIMA



OBRIGADO!

Foi com bastante satisfação e agrado que verificamos através do jornal Alto Minho, que o Arquivo Municipal de Ponte de Lima, recebeu da Dª Manuela Marques dos santos Neto Mota da Cruz, a oferta de um conjunto de livros do poeta António Vieira Lisboa, que tinham sido oferecidos pelo autor ao seu marido.
Deste modo, pretende a Sr.ª contribuir para a divulgação da obra poética, daquele que foi considerado o “cantor do Amor à Mulher e ao Lima”.
É com enorme sentido de encorajamento que recebemos a notícia desta oferta, pois é sinal de que começamos a sentir que outros nos vão acompanhando nesta caminhada peregrina, que encetamos no início do ano.
Começa a sentir-se o eco do grito que foi lançado, para que a voz do poeta António Vieira Lisboa fosse ouvida.
Á Dª Manuela e a todos aqueles que se tem disposto caminhar ao nosso lado nesta árdua tarefa, um muito obrigado.

Os Amigos do poeta António Vieira Lisboa

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domingo, 6 de julho de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA



TESTAMENTO SENTIMENTAL


Talvez Ela até não conhecesse bem

! tão escondido estava!

o Seu imo adorável!

que da bôca Lhe transborda

em sorriso límpido, claro honesto feliz

quando para mim olha

e que, por vezes, vibra num riso que é um gorgeio

que é um canto alegre de ave do paraíso.

Essa Mulher que não pode saber quanto Bem Lhe quero

!ah como me custa!

Vou A eu deixar

Para que Ela seja

Feliz…

Feliz…

Feliz…

três vezes Feliz.

E as tristezas, os pesares, todos os contratempos

que a sua Vida entravem

levo-os comigo junto com a Vida.

Antonio Vieira Lisboa, testamento Sentimental, 1945

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sábado, 21 de junho de 2008

POEMA DEDICADO AO AMIGO TEÓFILO CARNEIRO



NA MORTE DO DR. TEÓFILO CARNEIRO


Um companheiro mais que lá se vai...
Um amigo de menos que contamos!
para dentro de nós, na dor,olhamos
o lugar donde a sua vida sai.

Um pesado silencio á volta cai
em que, tremente, a alma esvasiamos
e só então, miséria!, avaliamos
enquanto o amigo morto nos atrai.

A sua morte não separa, une
os corações num elo mais perfeito
e mostra aque a bondade não é vã...

A sua morte, com remorso, pune
o que por Ele deixamos de ter feito
mas por outrem faremos amanhã.


Ponte de Lima, 3 - Agosto de 1949

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quinta-feira, 12 de junho de 2008

BIOGRAFIA DO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA - 40 Anos após a sua morte










ANTÓNIO DA SILVA GOUVEIA VIEIRA LISBOA, filho de António Augusto Vieira Lisboa, gerente do Banco Ultramarino, natural de Ponte de Lima e de Dª Beatriz da Silva Gouveia Vieira Lisboa, natural de Bolama-Guiné, neto paterno de Alfredo Calixto Vieira Lisboa e de Dª Rosa Carolina Vieira Lisboa e materno de António da Silva Gouveia e de Dª Henriqueta Pereira de Gouveia, nasceu em Luanda, na então Província Ultramarina de Angola, ás três horas e vinte minutos da manhã, do dia 20 de Julho de 1907.Foi baptizado no dia 6 de Maio de 1908, na igreja de Nª Sª dos Anjos, na Cidade de Lisboa.Foram padrinhos de baptismo o senhor António Maria Vieira Lisboa, casado, Conselheiro, juiz da Relação de Lisboa e sua esposa, a Sª Dª Margarida Vieira Lisboa, segundos tios do baptizado.A cerimónia foi presidida pelo Revº Prior Francisco Mendes Alçada de Paiva, pároco da Freguesia dos Anjos, na Cidade de Lisboa.António Vieira Lisboa formou-se em Direito.Instalado na sua “Casa da Garrida”, em Ponte de Lima, no termo da freguesia da Ribeira, o advogado poeta, começa a sua criação artística, embalado pela natureza limiana que o inspira de uma forma intensa.Aos 28 de Julho de 1934, casa-se na Conservatória do registo Civil de Ponte de Lima, com Maria Guilhermina Vieira Lisboa, não havendo filhos, o casal acabaria por separar-se, sendo decretado o divórcio no dia 26 de Dezembro de 1944.A Europa vivia mergulhada numa crise profunda decorrente da 2ª Grande Guerra Mundial e do avanço do poderio Alemão, que explorava os povos dos países que capitulavam diante da máquina de guerra do Fuhrer.Decorria o Ano de 1940 e nas oficinas gráficas da “Gazeta dos Caminhos-de-Ferro”, em Lisboa eram impressos os exemplares da sua primeira obra literária, Versos Estranhos, que haveriam de ser editados pela mão da livraria Portugália.No ano seguinte, novamente a livraria Portugália dava à estampa um novo titulo, tratava-se dos Poemas de Amor e dúvida, que foram impressos na gráfica Santelmo, em Lisboa.Os anos seguintes foram de intensa actividade criativa por parte do poeta, publicando sucessivamente em:Em 1942, Mulheres (Versos).Em 1943, Chão de Amor.Em 1944, Teu Corpo Minha Alma.Em 1945, Testamento Sentimental.Em 1946, Bess.De notar, que as publicações de 1944 a 1946, não chegaram a entrar no mercado.Em 9 de Setembro de 1947, o poeta Vieira Lisboa, terminava aquela que haveria de ser a sua última criação literária e nada melhor do que tratar os temas que sempre o inspiraram, a Mulher e o Lima.Ao Longo do Rio Azul, só haveria de ser tornada pública dois anos mais tarde, decorria já o Ano de 1949.Mas António Vieira Lisboa, não viveu encerrado no interior do seu solar da rua do Arrabalde, os amigos eram presença assídua nos almoços e jantares com que presenteava os seus convidados.António Vieira Lisboa foi presidente da Direcção da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, de 1936 a Junho de 1938.Vieira Lisboa, era um amante da sua terra, da gente e das tradições limianas, não esqueçamos, que era na sua “Casa da Garrida”, onde repousava o touro que em véspera de Corpus Christi, haveria de correr na tradicional “Corrida da Vaca das Cordas”.Paralelamente à sua criação literária e intervenção cívica, desenvolveu um importante papel na dinamização da agricultura e indústria local.Vieira Lisboa, nas propriedades que possuía, sobretudo nas freguesias da Ribeira (Quinta dos Fortes, Qt. Bouça, Qt. do Pombal e QTª da Aldeia) e Rebordões (Quinta das Fontes e da Queixadinha), foi pioneiro na introdução de novas práticas agrícolas, bem como na experimentação de novas culturas.Desempenhou um importante papel na actividade industrial do concelho, ao nível da produção e fabrico de azeite.António Vieira Lisboa era um homem bom!As escadas da sua casa da Garrida eram enxameadas por mendigos e pedintes, que aí recorriam para muitas das vezes matarem a fome. Este homem era incapaz de negar a ajuda a quem dele se abeirasse. As crianças, eram a sua alegria e por elas era capaz das maiores loucuras, nunca fez distinção entre os seus meninos e os filhos dos caseiros e demais serviçais.Já acometido pela doença, casou-se no Hospital de Ponte de Lima, no dia 31 de Maio de 1968, com Maria Libânia M. Vieira Lisboa, com quem teve quatro filhos.No dia 13 de Junho de 1968, dia de Santo António, pelas 18 horas, os sinos da matriz de Ponte de Lima, anunciavam a triste notícia do seu falecimento no Hospital da Misericórdia, agastado pela doença, o Homem e o Poeta, haviam-se calado para sempre.Ponte de Lima, via partir tão cedo, uma das vozes que componha o coro daqueles que tão bem souberam cantar o Amor a esta terra.Não me parece que a dor desta perda tenha encontrado eco suficientemente justo na terra que tanto amou no seu lirismo Limiano.Vieira Lisboa, merecia mais e Ponte de Lima, continua a dever-lhe o respeito e o merecido reconhecimento pelo seu mérito.

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terça-feira, 10 de junho de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA

Um beijo!

A M. L.


Promessa feita pela Tua boca
-bõca a sorrir de rapariga sã-
mesmo que fôsse uma promessa louca
nunca seria uma promessa vã.

Fiquei, por isso, c’oa cabeça oca
quando-vermelha como uma romã-
fôste dizendo em ar de coisa pouca:
“Sim…dou-te um beijo!...Sim…mas amanhã!”

?Por que motivodesprendeste o encanto
delicioso dessameiga hora
se, se Tu me beijas,amanhã, no entanto?

A felicidade, vai depressa embora…
E já que fazes espera-la tanto
um beijo só não chega p’ra demora.


Versos Estranhos António Vieira Lisboa, p-16

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domingo, 1 de junho de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA - 1908 - 1968

LIBERTAÇÃO

Foi-se o prestígio do Teu corpo môço.
Só me prendia a Ti a carne: observo
Mas dessa posse ainda em mim conservo
Tôdo o vestígio que nas veias ouço.

Nada se acaba, extingue de repente.
…! E foram anos de servil ardor!...
Sofri da Tua Carne o Seu explendôr
sem sentir peso… doentiamente.

Anos inteiros, confundiu-me a posse
…Ah muita vez eu tenho o que suponho!...
Ia buscar a ilusão ao sonho…
!? Mas quem o amargo sinta e não adoce?!

É meu olhar mais puro, claro e aberto…
Nenhuma algema agora me acorrenta.
E tudo vive em mim e experimenta
essa alegria e alívio dum liberto.


António Vieira Lisboa
Poema do livro “ MULHERES” 1942, Bertrand- 1942

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TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA

Com a devida vénia ao jornal Noticias dos Arcos, decidi publicar a opinião do nosso conterrâneo Amândio Sousa Dantas, dada à estampa na secção de opinião “ Singular & Plural” do referido jornal, na edição do dia 31 de Janeiro de 2008.
Também eu comungo da mesma opinião e acho que Ponte de Lima tem uma dívida de gratidão para com o homem e o poeta António Vieira Lisboa.
Por isso, esperemos que se reforce este movimento e que o coro das vozes que reclamam justiça, em nome da memória e da obra do poeta que cantou a mulher e o Lima, se faça ouvir para que os responsáveis pela cultura Limiana, prestem o tributo merecido, a um dos mais originais poetas limianos do Sec.XX.


Singular & Plural

Amândio Sousa Dantas

... … …
António Vieira Lisboa – Um poeta maior esquecido
António Vieira Lisboa nasceu em Luanda em 1907, veio ainda muito novo para Ponte de Lima (terra natal dos seus pais). Aqui morreu em 1968 (na Casa da Garrida). Poeta (maior) injustamente esquecido. Já passaram 100 anos do seu nascimento... A Câmara Municipal de Ponte de Lima, através do sr. Vereador do Pelouro da Cultura e, seria um acto de inteira justiça e homenagem: propor a edição de uma antologia da sua obra... E ao mesmo tempo: davam a conhecer às novas gerações: - uma das vozes mais originais do século XX.
… … …

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domingo, 25 de maio de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA

NEM QUERES VER-ME

Nem queres ver-me…
e tenho pena, muita pena. É ainda cedo
Para acabar.

Se tu quizesses ver-me!

Mas é de Ti que vem o mêdo
Ou foi por quanto Te disseram?

Pois todas Essas que julguei gostar
ou talvez gostasse
nunca souberam
a si prender-me.

Talvez ficasse numa… e às outras não chegasse,
!?mas todas Elas que fizeram
para reter-me?!

Apenas se deixaram que as amasse…

Todo o esforço
para fixar num ponto a Vida foi só meu.
Nenhuma poude ou quis
saber o que por cada uma fiz.
E o Amor em que me estorço
nunca a nenhuma me prendeu.

E Tu nem queres ver-me!...
Foges-me… e era eu que devia fugir-Te.

Tudo me leva a repelir-Te
Antes que o coração sensível
se tome de alvoroço.
…!Ai mas quero uma vez mais perder-me
do que perder um vago esbôço
de Amor possível!...

António Vieira Lisboa, Poemas de Amor e Dúvida, Livraria Portugália Lisboa

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sábado, 17 de maio de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA


Se eu morresse amanhã


Se eu morresse amanhã

diria em minha Aldeia todo o povo:

«Uma pessoa assim tão sã

que pena!... Moço tão novo!»

E a boa gente em triste compostura

iria em passo lento e tom funério

Acompanhar-me à sepultura

do velho Cemitério

E o meu vizinho, filho d’Algo e perro

porque faz pó o meu buick lesto

de fraque preto iria ao meu enterro

cheio de si e do seu gesto.

E Aquela que a sorrir me dilacera

e torna a minha Vida quási vã

tinha remorsos do que me fizera

se eu morresse amanhã.

Mas eu morro de velho e à passagem

que todos digam em voz alta:

Feliz viagem.

Já não fazia falta.

Do livro: poemas de Amor e Dúvida, livraria Portugália, Lisboa 1941 (28,29)

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sábado, 19 de abril de 2008

TRIBUTO AO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA

A VILA E O RIO

Foto de Amândio de Sousa Vieira

A vila
tranquila
¿ dorme ou suspira?
junto do Rio.

E o rio,
safira
em fio,
de volta da Vila,
delira.

A Ponte já velha de tanto relento
se mira
no fundo
do Rio sedento.

Alheia,
num esquecimento
do que é deste mundo,
nem vê que a aniquila
a areia.

É o equinócio
do Outono.
E o Rio no velho caminho vacila...
pára...rodeia,
enfim prossegue com cautela:
que não perturbe a Vila
no sono
d’ocio.

Nem vela
circula.
E o Rio areia acumula
no pensamento que o atribula
de à Vila
chegar.

Vem longe o Inverno que traz as cheias.
E o Rio infeliz
se afila
perdido de Amor, com ciúmes da Ponte.
Até lhe levou duma vez as ameias.

E a Vila, de branco, só espera o Luar
e o rouxinol de fronte.


in Ao Longo do Rio Azul, Edição de Autor, Ponte de Lima, 1949, pp. 44-45



http://br.geocities.com/viladeponte/

retirado da net



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